===== ANTIPOSITIVISMO ===== Este [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista [[lexico:n:nao:start|não]] podia [[lexico:s:subsistir:start|subsistir]] muito [[lexico:t:tempo:start|tempo]]. O [[lexico:e:espirito:start|espírito]] [[lexico:h:humano:start|humano]] não podia subsistir dessa maneira. O [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] é o [[lexico:s:suicidio:start|suicídio]] da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]; é a proibição de tocar naqueles problemas que incessantemente perseguem o [[lexico:c:coracao:start|coração]] e a [[lexico:m:mente:start|mente]] humana. Não podia persistir muito tempo esta proibição de entrar nesse recinto quando o [[lexico:h:homem:start|homem]], desde que é homem, não tem [[lexico:o:outro:start|outro]] anelo senão [[lexico:e:esse:start|esse]]. Por conseguinte, tinha que vir muito cedo uma [[lexico:r:reacao:start|reação]] contra o positivismo e uma renovação da filosofia. Esta reação contra o positivismo e renovação da filosofia tem em cada país suas formas um pouco diferentes. Na Europa estas formas foram principalmente oriundas da reação antipositivista que se produziu na Alemanha, e essa reação antipositivista se produziu em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de alguns fenômenos históricos concomitantes. Em torno ao ano de 1870 começaram alguns fenômenos de reação contra o positivismo. Um deles, o mais notável, foi o [[lexico:b:belo:start|belo]] livro que publicou em 1865 [[lexico:o:otto:start|Otto]] Liebmann e que se chama [[lexico:k:kant:start|Kant]] e os epígonos. Nesse livro sustenta Liebmann que a filosofia tem que voltar a Kant e que os culpados da [[lexico:d:decadencia:start|decadência]] e miséria da filosofia foram os filósofos românticos alemães que se desligaram da sistematização construtiva e fantástica, que era os que ele chamava epígonos. Dizia que era preciso retornar a Kant, retornar ao sadio filosofar kantiano, que sem [[lexico:s:ser:start|ser]], naturalmente, em [[lexico:n:nada:start|nada]] positivista, todavia tem em conta constantemente os objetos e os dados científicos para sobre eles e com eles fazer a filosofia. Este livro teve um grande êxito, e como resultado, a mocidade estudiosa filosófica alemã se pôs a ler Kant e trabalhar sobre Kant. E disto, unido à [[lexico:i:influencia:start|influência]] que teve o livro de Frederico Alberto Lange sobre o [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]], surgiram as escolas filosóficas neokantistas, que até faz poucos anos dominaram na [[lexico:e:escola:start|escola]] da filosofia oficial alemã: as escolas de Mar burgo e Baden, que foram as duas escolas kantistas dirigidas por [[lexico:c:cohen:start|Cohen]] e [[lexico:n:natorp:start|Natorp]] e por [[lexico:w:windelband:start|Windelband]] e [[lexico:r:rickert:start|Rickert]]. Este foi um dos motores da reação antipositivista. O segundo motor, é tão importante quanto o primeiro, embora menos conhecido, foi a influência de [[lexico:b:brentano:start|Brentano]] e dos discípulos de Brentano sobre a [[lexico:f:filosofia-alema:start|filosofia alemã]]. Brentano ensina a seus alunos que o [[lexico:a:autentico:start|autêntico]] filosofar não consiste nas grandes generalizações de [[lexico:f:fichte:start|Fichte]], [[lexico:s:schelling:start|Schelling]] e [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], mas consiste na minuciosa e rigorosa elucidação dos pontos, dos acentos, dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] filosóficos. Esta [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] rigorosa, de herança nitidamente aristotélica e [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]], que Brentano impôs a seus discípulos, deu à filosofia uma .solidez e textura de [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] e [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] extraordinárias. E discípulos de Brentano são os filósofos que na Alemanha têm e tiveram a maior influência: [[lexico:h:husserl:start|Husserl]], com a sua [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]], [[lexico:m:meinong:start|Meinong]], com a sua [[lexico:t:teoria-dos-objetos:start|teoria dos objetos]] etc. Em França, a reação antipositivista foi iniciada pela filosofia criticista de [[lexico:r:renouvier:start|Renouvier]], Ravaisson, [[lexico:l:lachelier:start|Lachelier]], um de cujos discípulos mais notáveis foi [[lexico:b:bergson:start|Bergson]]. Bergson foi um dos grandes lutadores contra a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] positivista. Em [[lexico:s:suma:start|suma]]: passado o mau transe do positivismo, a filosofia volta outra vez a recuperar seus temas eternos: o [[lexico:t:tema:start|tema]] da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]], o tema da [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]], o tema da [[lexico:g:gnoseologia:start|gnoseologia]], da [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]], da [[lexico:l:logica:start|lógica]], da [[lexico:e:etica:start|ética]] etc. Respondendo a [[lexico:i:interlocutor:start|interlocutor]] que o interpela sobre seu "remar contra a correnteza" em termos de "[[lexico:h:historia-da-filosofia:start|História da Filosofia]]", [[lexico:e:eudoro-de-sousa:start|Eudoro de Sousa]] afirma seu: «decidido e radical antipositivismo, ou seja, a [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] (proveniente, talvez da minha irredutível [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]]) a tudo quanto, de longe ou de perto, lembre a tão famosa quanto funesta [[lexico:l:lei:start|lei]] dos três estados: [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] humano, articulado na [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] de (1) [[lexico:r:religiao:start|religião]] ou [[lexico:t:teologia:start|teologia]] ([[lexico:m:mito:start|mito]]), (2) metafísica ou pensamento lógico-discursivo e (3) [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] [[lexico:e:experimental:start|experimental]] ou teórica. Não vejo, nunca vi, e desafio que me demonstrem e convençam de que, na [[lexico:g:grecia:start|Grécia]] histórica (desculpe! é o meu referencial favorito), as três não estejam e não sejam sempre co-presentes e co-agentes, e que se possam apagar todos os vestígios de um colóquio entre elas, que pode e deve [[lexico:t:ter:start|ter]] sido bastante fecundo e produtivo, mesmo nos momentos não raros em que ele degenerou em áspera polêmica. Portanto, a tal «[[lexico:o:originalidade:start|originalidade]]», a que V. se refere, talvez se reduza apenas a certa acuidade com que descubro e denuncio o positivismo [[lexico:l:latente:start|latente]] em «Histórias da Filosofia», cujos autores indignadamente repudiariam a acusação, mas que, sem [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] disso, vão, descuidados, ao sabor da corrente.» {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}