===== ANALOGIA ===== analogia: proporção, analogia gr. analogia = assunto conhecido por, [[lexico:h:hyle:start|hyle]] 1; um [[lexico:p:principio:start|princípio]] na [[lexico:t:teoria:start|teoria]] estoica da [[lexico:i:inteleccao:start|intelecção]], [[lexico:n:noesis:start|noesis]] 16; e na sua etimologização, [[lexico:o:onoma:start|onoma]] 1; [[lexico:v:ver:start|ver]] [[lexico:a:agnostos:start|agnostos]], [[lexico:d:dike:start|dike]], [[lexico:t:thesis:start|thesis]], onoma. vocábulo já forjado pelos Gregos, vem de [[lexico:a:analogon:start|analogon]], que significa "segundo proporção". Por [[lexico:m:meio:start|meio]] deste [[lexico:t:termo:start|termo]] exprime-se principalmente a analogia do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], o qual apreende o [[lexico:s:ser:start|ser]] de um [[lexico:e:ente:start|ente]] pela sua [[lexico:r:relacao:start|relação]] com [[lexico:o:outro:start|outro]]. O ser de um tinte é portanto inferido ou, pelo menos, aclarado mediante a comparação com outro, p. ex., o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] ocorreu-me como um relâmpago. Podemos descrever esta analogia como "conhecimento por comparação". Pressupõe ela que o ser, que serve de [[lexico:r:referencia:start|referência]] à comparação (pelo menos do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista desta) é mais conhecido que o outro, e que entre ambos existe, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], coincidência e [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]]. Sem coincidência, [[lexico:n:nao:start|não]] há [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] alguma de comparação; sem diversidade, a comparação subministra apenas mera [[lexico:r:repeticao:start|repetição]] do mesmo sem novo esclarecimento. Pelo que, o conhecimento [[lexico:a:analogo:start|análogo]] radica na [[lexico:a:analogia-do-ser:start|analogia do ser]], mercê da qual dois ou mais existentes a um tempo coincidem e se diferenciam em seu ser. Esta analogia reflete-se em nossos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] e [[lexico:p:palavras:start|palavras]]. Se [[lexico:f:falta:start|falta]] a coincidência, o termo é ([[lexico:e:equivoco:start|equívoco]]) pluri-significativo; longe de expressar um só [[lexico:c:conceito:start|conceito]], reúne acidentalmente, sob a mesma [[lexico:d:designacao:start|designação]], conteúdos conceituais inteiramente diversos (p. ex., "cisne" como [[lexico:a:animal:start|animal]] ou como constelação). Se falta a diversidade, temos que distinguir os termos [[lexico:s:sinonimos:start|sinônimos]] (de [[lexico:s:sentido:start|sentido]] igual) e os unívocos (de sentido [[lexico:u:unico:start|único]]), pois os primeiros coincidem plenamente quanto ao conteúdo (p. ex., animal [[lexico:r:racional:start|racional]] e [[lexico:h:homem:start|homem]]), e os segundos tiram a limpo, de dois conceitos totalmente diferentes, um setor, no qual se sobrepõem plenamente quanto ao conteúdo, no qual também concordam sem diversidade (p. ex., o [[lexico:g:genero:start|gênero]] "[[lexico:v:vivente:start|vivente]]" em relação a [[lexico:a:anima:start|anima]]! e planta). No conhecimento análogo entram somente em consideração os conceitos- que em si contém inseparavelmente (analogia [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]) ou, ao menos, inseparadamente (analogia [[lexico:f:fisica:start|física]]) a coincidência e a diversidade; no primeiro caso, o conceito é análogo até em sua íntima [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] metafísica, não sendo pois [[lexico:u:univoco:start|unívoco]] sob nenhum [[lexico:r:respeito:start|respeito]], ao passo que, no segundo caso, o conceito é análogo apenas em sua realização concreta, permanecendo unívoco em sua estrutura metafísica. O segundo caso ocorre no gênero "vivente, ser vivo"; o primeiro caso, que exprime apenas o conceito [[lexico:p:proprio:start|próprio]] ou essencialmente análogo, ocorre no conceito do existente. Para mais acurada caracterização do conceito análogo, devem tomar-se em conta os dois tipos fundamentais de analogia de [[lexico:a:atribuicao:start|atribuição]] e analogia de proporcionalidade. Importa, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, distinguir cuidadosamente entre o conteúdo conceituai ou o termo comum análogo (p. ex., o existente) e os sujeitos d» relação análoga ou analogados (p. ex., [[lexico:d:deus:start|Deus]] e a criatura). Na analogia de atribuição (attribuere: adjudicar) o análogo comum é atribuído ao análogo secundário ou segundo em dependência do principal ou primeiro. Como, mercê desta dependência, ou só o [[lexico:n:nome:start|nome]] análogo ou também o conteúdo conceitual por ele [[lexico:s:significado:start|significado]] pode ser transferido ao analogado segundo, há uma analogia de atribuição externa ou extrínseca e uma analogia de atribuição intrínseca ou interna. Sirva de [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] da primeira o [[lexico:p:predicado:start|predicado]] "são": o analogado primeiro é o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] [[lexico:h:humano:start|humano]], que em si realiza o conteúdo de saúde; analogados segundos podem ser, p. ex., a cor do rosto ou o alimento, os quais, devido à sua relação com a saúde do corpo (como [[lexico:s:sinal:start|sinal]] ou [[lexico:c:causa:start|causa]] da mesma) recebem o nome de "são", sem que todavia comportem em si o conteúdo conceituai da saúde. Como exemplo da segunda pode aduzir-se o conceito de existente: Deus é denominado "existente" como analogado primeiro; ao passo que a criatura o é como analogado segundo, porque realmente existe mas em absoluta dependência de Deus. Existe entre ambos coincidência no ser, a qual todavia é penetrada de diversidade, visto como Deus possui o ser com independência e [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]], e a criatura, pelo contrário, o possui de [[lexico:m:modo:start|modo]] dependente e imperfeito. A analogia de proporcionalidade baseia-se no [[lexico:f:fato:start|fato]] de cada um dos analogados incluir uma relação, na qual simultaneamente coincide e discorda. Trata-se da relação análoga de duas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] recíprocas, a qual, por seu turno, se denomina também "proporcionalidade". Esta é própria, quando a relação em ambos os analogados incide no conteúdo [[lexico:e:essencial:start|essencial]] comum; é imprópria, quando o analogado segundo não se refere ao conteúdo essencial comum, mas tão-sòmente a um [[lexico:e:efeito:start|efeito]] de algum modo [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] ao irradiado por [[lexico:e:esse:start|esse]] conteúdo. Deus e as criaturas mantêm relação com o ser em seu conteúdo essencial, mas de modo essencialmente diferente, a [[lexico:s:saber:start|saber]]: Deus, de um modo [[lexico:n:necessario:start|necessário]], a criatura, de um modo [[lexico:c:contingente:start|contingente]]; Falamos de um [[lexico:p:prado:start|Prado]] "risonho", não porque ele ria de lato, mas porque nos alegra da mesma maneira que um rosto risonho. A isto se dá vulgarmente o nome de [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] metafórica. A importância da analogia manifesta-se sobretudo no [[lexico:p:problema-de-deus:start|problema de Deus]]. Na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que designa coincidência, ultrapassa uma plena [[lexico:s:separacao:start|separação]] entre o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] e Deus, possibilitando, de encontro a qualquer [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:a:agnosticismo:start|agnosticismo]], o conhecimento de Deus. Na medida porém em que significa simultaneamente diversidade, exclui a identificação panteísta de Deus e do mundo, mas por isso mesmo impede-nos de obter um conceito exaustivo do mesmo Deus. — Lotz. (Do grego aná, para cima, e logos, pensamento = pensamento dirigido para outro superior). a) Proporção, que consiste em uma [[lexico:i:identidade:start|identidade]] de relação entre cada dois termos de vários pares. b) Também significa, em [[lexico:c:concreto:start|concreto]], a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] que encarna essa proporção. c) Na [[lexico:l:logica:start|Lógica]], uma forma de [[lexico:a:argumento:start|argumento]] ([[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] por analogia), que, partindo da identidade ou [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] observada ou suposta, entre dois ou mais objetos, infere, da [[lexico:e:existencia:start|existência]] de um [[lexico:c:carater:start|caráter]] observado em um dos termos, a existência do mesmo caráter, ainda não observado no outro termo. Ou, em outras palavras, que se aproximam ao [[lexico:u:uso:start|uso]] matemático: A [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] de um termo pelo conhecimento de dois termos de vim dos pares, e de um termo do segundo par. A proporção [[lexico:m:matematica:start|matemática]] foi chamada de analogia por [[lexico:e:euclides:start|Euclides]]. [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] aplicou-a às condições da Lógica, precisando-lhe o sentido, mas sem estabelecer um raciocínio em sentido próprio na base da analogia. [[lexico:k:kant:start|Kant]] compara analogia com a [[lexico:i:inducao:start|indução]], determinando essa última como a [[lexico:o:operacao:start|operação]] mental, que estende a todos os seres de uma mesma [[lexico:e:especie:start|espécie]] as observações feitas em alguns deles, e o raciocínio por analogia como a conclusão que infere da semelhança [[lexico:b:bem:start|Bem]] assegurada, entre duas espécies, a semelhança ainda não observada. d) Ao lado dessa «analogia proportionis» (analogia da proporção) [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] estabeleceu uma «analogia attributionis» (analogia de atribuição), que se aplica aos casos onde não se pode atribuir os [[lexico:p:predicados:start|predicados]] univocamente. «Árvore» atribui-se ao carvalho e à oliveira univocamente, mas «rindo» diz-se de um rosto e de uma paisagem só analogamente. A «analogia attributionis» tem um [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] [[lexico:r:real:start|real]] e distingue-se, por isso, do mero equívoco. e) Tudo o que afirmamos sobre a [[lexico:e:essencia:start|essência]] de Deus, é, neste sentido, análogo; as [[lexico:v:virtudes:start|virtudes]] humanas são análogas às perfeições de Deus, e vice-versa. Segundo a acepção [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]], o «ser» é um conceito análogo, que não se pode atribuir univocamente a diferentes [[lexico:c:categorias:start|categorias]] (aristotélicas) do ser. "Ser", portanto, não é um conceito genérico e, por isso, as próprias categorias são os gêneros supremos (analogia entis, analogia do ser). [[lexico:c:critica:start|Crítica]]: Um conceito é análogo, quando aplicado a [[lexico:c:coisas:start|coisas]] diversas, com acepções que não são nem propriamente idênticas, nem completamente diferentes. Ex.: uma [[lexico:r:razao:start|razão]] forte e uma árvore forte, etc. Os conceitos aplicados aos objetos, de onde são tirados por [[lexico:a:abstracao:start|Abstração]], e aplicados ao ser, enquanto ser, ou às realidades que são [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da metafísica, são unívocos, equívocos ou análogos? Não podem ser equívocos, pois não há nenhuma realidade que seja totalmente diferente do mundo de nossa [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]. Deus ultrapassa-nos totalmente, mas não é impermeável a nós, pois é a [[lexico:o:origem:start|origem]] de tudo, em tudo há algo dele. Não podem ser unívocos, pois as realidades metafísicas, às quais nós os aplicamos, diferem dos fatos da experiência de onde foram abstraídas. São, portanto, análogos: A [[lexico:u:univocidade:start|univocidade]] leva-nos ao [[lexico:m:monismo:start|monismo]], que admite uma única realidade; Deus (monismo panteísta) ou [[lexico:m:materia:start|matéria]] (monismo materialista) ou pensamento (monismo idealista). A [[lexico:e:equivocidade:start|equivocidade]] supõe o [[lexico:d:dualismo:start|dualismo]] ou o [[lexico:p:pluralismo:start|pluralismo]], ou seja, a existência de realidades totalmente diferentes e independentes. Só a analogia pode assegurar a [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] na [[lexico:u:unidade:start|unidade]]: [[lexico:d:distincao:start|distinção]] do Ser [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] e dos seres [[lexico:r:relativos:start|relativos]], mas unidades, porque os seres relativos obtêm do ser absoluto ([[lexico:c:criacionismo:start|criacionismo]]); distinção da [[lexico:a:alma:start|alma]] e do corpo, mas unidade [[lexico:s:substancial:start|substancial]] ([[lexico:e:espiritualismo:start|espiritualismo]]). Esta [[lexico:s:sintese:start|síntese]] que acabamos de fazer desses ante-predicamentos (assim são eles chamados na Lógica, por serem preâmbulos e pré-requisitos para a ordenação dos [[lexico:p:predicamentos:start|predicamentos]] ou categorias), não exclui a [[lexico:p:problematica:start|problemática]] que surge sobre a univocidade e a analogia, que é de magna importância para os estudos ontológicos. Logicamente considerado, vim termo é unívoco quando significa (aponta, como sinal) uma razão simplesmente uma, convenientem multis distributive (unum in multis), isto é, uma conveniente, distributivamente, a muitos (um em muitos), como o definem os escolásticos. A [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]] de Salomão e a sabedoria de um homem experiente, enquanto sabedoria, em sua [[lexico:q:quididade:start|quididade]], isto é, em sua formalidade, é unívoca, pois sabedoria é sabedoria, e [[lexico:n:nada:start|nada]] mais. A univocidade, aqui, é puramente [[lexico:f:formal:start|formal]], porque a sabedoria deste, e neste homem, consta de um saber quantitativa e qualitativamente diferente de outro, pela [[lexico:s:soma:start|soma]] maior ou menor de conhecimento que uma tenha em relação a outro. Quando dizemos que um termo é análogo, reconhecemos que, nele, há algo que se assemelha ao analogado e algo que se diferencia. Analogia é, portanto, síntese do semelhante e do diferente. Todos os entes são análogos. Mas há graus de analogia. Distingamos: analogia de atribuição extrínseca — quantitativa; analogia de atribuição intrínseca — qualitativa; analogia de proporcionalidade — relação e [[lexico:f:funcao:start|função]]. Há analogia de atribuição intrínseca, quando o análogo (termo, conceito, conjunto [[lexico:s:simbolico:start|simbólico]]) convém propriamente a todos os objetos que designa, embora adequadamente em certos casos, inadequadamente em outros. Ex.: o [[lexico:a:ato:start|ato]] [[lexico:e:existencial:start|existencial]] é misto de [[lexico:a:ato-e-potencia:start|ato e potência]], é [[lexico:h:hibrido:start|híbrido]] ato e [[lexico:p:potencia:start|potência]] são aplicados a Deus e às criaturas, analogicamente, por atribuição intrínseca. Há analogia de atribuição intrínseca entre dois medicamentos, que servem para o mesmo [[lexico:f:fim:start|fim]]. (Também pode confundir-se, em certos casos, com a função, mas só quando tomado dinamicamente). Há analogia de atribuição intrínseca quantitativa entre dois objetos de [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] e espécies diferentes, quantitativamente iguais, como, por ex., o mesmo [[lexico:p:peso:start|peso]]. Assim 1 quilo de papel e 1 quilo de açúcar. Há analogia de atribuição extrínseca, quando usada em sentido nem unívoco, nem equívoco, mas apenas por [[lexico:t:transposicao:start|transposição]] em consideração metafórica ([[lexico:s:substituicao:start|substituição]] de um sentido [[lexico:e:exterior:start|exterior]] por outro, que apresente semelhanças meramente exteriores). Um homem risonho, alegre, e um jardim risonho, alegre. Um clima não saudável, e um homem não saudável. As metáforas são verdadeiras analogias, quando não disparatadas. A [[lexico:m:metafora:start|metáfora]] pertence mais à [[lexico:e:estetica:start|estética]] do que propriamente à Metafísica. A analogia de proporcionalidade ou de proporção é a que consiste entre coisas totalmente diferentes, mas que apresentam, cada uma, certa similitude de relação (analogia de relação), ou de função (analogia de função). A ala direita e a ala esquerda de um exército; o pé esquerdo e o pé [[lexico:d:direito:start|direito]] de um edifício, a entre um chefe e a tropa e a entre a cabeça e o corpo, são outros exemplos de analogia. Há [[lexico:h:homologia:start|homologia]], quando há proporcionalidade entre a função de um [[lexico:t:todo:start|todo]] com a função de um outro todo, como, por ex., a existente entre as asas dos pássaros e os membros anteriores dos mamíferos, entre as penas dos pássaros e as folhas da árvore. ANALOGIA DE EXPERIÊNCIA — Segundo Kant, certos [[lexico:p:principios:start|princípios]] [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] do [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]] [[lexico:p:puro:start|puro]], cuja [[lexico:f:formula:start|fórmula]] [[lexico:g:geral:start|geral]] é a seguinte: a experiência só é [[lexico:p:possivel:start|possível]] pela [[lexico:r:representacao:start|representação]] de um laço necessário entre as percepções. Estas analogias são três: 1) A [[lexico:p:permanencia:start|permanência]] da [[lexico:s:substancia:start|substância]]; 2) a existência de leis fixas de [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] na [[lexico:n:natureza:start|natureza]] ([[lexico:c:causalidade:start|causalidade]]); 3) o princípio da [[lexico:r:reacao:start|reação]] recíproca [[lexico:u:universal:start|universal]] entre todas as [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] a cada [[lexico:m:momento:start|momento]] do tempo. É, em termos gerais, a [[lexico:c:correlacao:start|correlação]] entre os termos de dois ou mais sistemas ou ordens, isto é, a existência de uma relação entre cada um dos termos de um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] e cada um dos termos do outro. A analogia equivale então à proporção. Falou-se também de analogia como semelhança de uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] com outra, da similitude de uns [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] ou funções com outros. Neste [[lexico:u:ultimo:start|último]] caso, a analogia consiste na [[lexico:e:expressao:start|expressão]] de uma [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]], semelhança ou correlação. Precisamente em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] das dificuldades que este último [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de analogia oferece, houve frequentemente a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] para sublinhar a exclusiva referência da analogia às relações entre termos, isto é, à expressão de uma [[lexico:s:similaridade:start|similaridade]] de relações. [[lexico:p:platao:start|Platão]] apresentou a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de analogia em A [[lexico:r:republica:start|República]]; também no [[lexico:t:timeu:start|Timeu]], ao [[lexico:c:comparar:start|comparar]] o Bem com o [[lexico:s:sol:start|sol]], e ao indicar que o primeiro desempenha no mundo [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]] o mesmo papel que o último desempenha no mundo [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]. Esta analogia é reforçada com a relação estabelecida por Platão entre o Bem e o Sol, que é, a seu ver, comparável à que existe entre um pai e o [[lexico:f:filho:start|filho]], pois o Bem gerou o Sol à sua semelhança. Alguns pensadores posteriores adotaram e desenvolveram estas concepções de Platão, entre outros [[lexico:p:plotino:start|Plotino]]. Aristóteles aplicou a doutrina de “a [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]] de razão” aos problemas ontológicos por meio daquilo a que se chamou “a analogia do ente” (v. à frente). O ser, afirmou Aristóteles, “diz-se de muitas maneiras”, embora se diga primeiramente de uma maneira: como substância. Os Escolásticos aceitaram e elaboraram a doutrina aristotélica. Muitos deles, ao referirem-se aos nomes ou termos, distinguiram entre um modo de [[lexico:f:falar:start|falar]] unívoco, um modo de falar equívoco e um modo de falar análogo. O termo ou nome comum, que se predica de vários seres ditos inferiores, é unívoco, quando se aplica a todos eles num sentido totalmente semelhante ou perfeitamente [[lexico:i:identico:start|idêntico]]. É equívoco, quando se aplica a todos e a cada um dos termos em sentido completamente distinto (por exemplo, touro, como animal ou constelação). É análogo, quando se aplica aos termos comuns em sentido não inteiro e perfeitamente idêntico ou, melhor ainda, em sentido distinto, mas semelhante de um ponto de vista determinado de uma determinada e certa [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] (como “esperto” aplicado a um ser que não dorme e a um ser que tem uma [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] viva). O termo análogo é o que significa uma forma ou [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] que está intrinsecamente num dos termos (o analogado principal), estando, em contrapartida, nos outros termos analogados secundários), por certa ordenação à forma principal. Partindo desta base, pode dizer-se também que a analogia é extrínseca (como o mostra o exemplo “são”) ou intrínseca (como o mostra o exemplo de “ser”, que convém a todos os incriados ou criados, substanciais ou acidentais). Neste último caso, a analogia também se diz Metafísica. Embora quase sempre se tenha concordado em que o ente análogo constitui o objeto mais próprio da [[lexico:f:filosofia-primeira:start|filosofia primeira]], compreendendo também os entes de razão e ainda qualquer [[lexico:p:privacao:start|privação]] do ente enquanto inteligível, formaram-se principalmente três escolas . Enquanto a [[lexico:e:escola:start|escola]] de [[lexico:s:suarez:start|Suárez]] indicava que o ente é formalmente [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]] e que deve entender-se a analogia no sentido de analogia metafísica de atribuição, a escola de Escoto propendia para defender a univocidade do ente, o qual se limita às noções inferiores mediante diferenças intrínsecas. E a escola Tomista, que advogava uma analogia de proporcionalidade. Com efeito, dos três modos de analogia a que, segundo a escola Tomista, podem reduzir-se todos os termos análogos - analogia de igualdade, analogia de atribuição e analogia de proporcionalidade, mencionados por Aristóteles, embora com [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]] diferente -, só o último constitui, a seu ver, a analogia. Em geral, pode dizer-se que, para o [[lexico:t:tomismo:start|tomismo]], compete a todos os seres [[lexico:e:existir:start|existir]] numa relação semelhante de um modo intrinsecamente diverso, pois, sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], o ser nunca é um gênero que se determine por diferenças extrínsecas, mas ao mesmo tempo sustenta uma analogia de atribuição entre o Criador e os seres criados, e entre a substância e os acidentes, pois o ser dos últimos depende do dos primeiros. Em todo o caso, a [[lexico:n:nocao:start|noção]] analógica do ser pretende resolver o [[lexico:p:problema:start|problema]] [[lexico:c:capital:start|capital]] da [[lexico:t:teologia:start|teologia]] escolástica: o da relação entre Deus e as criaturas, portanto, embora na [[lexico:o:ordem:start|ordem]] do ser Deus exceda tudo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] criado, como causa suficiente dos entes criados, e de todo o ser, contém atualmente todas as suas perfeições. A tendência geral da [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]] consistiu quase sempre em se referir à analogia ou então no sentido de uma similaridade de relações nos termos abstratos ou então no sentido de uma semelhança nas coisas, dando portanto neste último caso à analogia um sentido claramente metafórico A referência propriamente metafísica ficou deste modo eliminada. Especialmente nas correntes fenomenistas e funcionalistas que abandonaram formalmente a noção de substância. (gr. analogia; lat. analogia; in. Analogy; fr. Analogie; al. Analogie; it. Analogia). Esse termo tem dois significados fundamentais: l) o sentido próprio e restrito, extraído do uso matemático (equivalente a proporção) de igualdade de relações; 2) o sentido de [[lexico:e:extensao:start|extensão]] [[lexico:p:provavel:start|provável]] do conhecimento mediante o uso de semelhanças genéricas que se podem aduzir entre situações diversas. No primeiro significado, o termo foi empregado por Platão e por Aristóteles e é até hoje empregado pela lógica e pela [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]. No segundo significado, o termo foi e é empregado na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]] e contemporânea. O uso medieval do termo é intermediário, entre um e outro significado. 1) Platão usou esse termo para indicar a igualdade das relações entre as [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] formas — duas a duas — de conhecimento, que distinguiu na República (VII, 14, 534 a 6), ou seja, entre a ciência e a [[lexico:d:dianoia:start|dianoia]], que pertencem à [[lexico:e:esfera:start|esfera]] da inteligência (que tem por objeto o ser), e entre a [[lexico:c:crenca:start|crença]] e a conjectura, que pertencem à esfera da [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] (que tem por objeto o [[lexico:v:vir-a-ser:start|vir-a-ser]]). "O ser está para o vir-a-ser", diz Platão, "assim como a inteligência para a opinião; e a inteligência está para a opinião assim como a ciência está para a crença e a dianoia para a conjectura". Aristóteles usa essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]] no mesmo sentido de igualdade de relações. Assim, ele diz que as coisas em ato não são todas iguais entre si, mas são iguais por analogia, no sentido que todas têm a mesma relação com os termos que servem, respectivamente, de potências. "Não é necessário", diz Aristóteles, "pedir a [[lexico:d:definicao:start|definição]] de tudo, mas observar também a analogia, isto é, ver que o construir está para a habilidade de construir na mesma relação em que o [[lexico:e:estado:start|Estado]] de vigília está para o dormir, o ver para o ficar de olhos fechados, a elaboração do material para o próprio material e a coisa formada para a informe" (Met., 9, 6, 1.047 b 35 ss.). Do mesmo modo, Aristóteles afirma que os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] e os princípios das coisas não são os mesmos, mas só análogos, no sentido de que são as mesmas as relações que têm entre si. P. ex., "no caso da cor, a forma será o branco; a privação, o negro; a matéria, a superfície; no caso da noite e do dia, a forma será a [[lexico:l:luz:start|luz]], a privação será a escuridão e a matéria será o [[lexico:a:ar:start|ar]]" (ibid., 12, 4,1.070 b 18). Obviamente, o branco, o negro e a superfície não são, respectivamente, o mesmo que luz, escuridão e ar, mas é idêntica a relação entre essas duas tríades de coisas (como entre muitíssimas outras tríades): relação que é expressa com os princípios de forma, privação e matéria. Nesse sentido, isto é, como igualdade de relações em todos os casos em que se acham realizados, tais princípios são chamados de analógicos. Fora da metafísica, a mais célebre aplicação do conceito de analogia é a que, em [[lexico:e:etica:start|ética]], Aristóteles faz em relação à [[lexico:j:justica:start|justiça]] distributiva. Esta consiste em dar a cada um segundo os seus méritos e, por isso, é constituída por uma proporção na qual as recompensas estão entre si assim como os méritos respectivos das pessoas a [[lexico:q:quem:start|quem]] são atribuídos. Trata-se, [[lexico:n:nota:start|nota]] Aristóteles, de uma proporção geométrica não contínua, já que nunca ocorre que a [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] a quem se atribui [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] e a coisa que se lhe atribui constituam um termo numericamente [[lexico:u:uno:start|uno]] (Et. Nic, V, 5, 1.131 a 31). Aristóteles depois fez uso frequente do conceito de analogia nos seus livros de [[lexico:h:historia:start|história]] [[lexico:n:natural:start|natural]], dizendo que são análogos os órgãos "que têm a mesma função" (Depart. an., I, 5 645 b 6). Esse conceito deveria revelar-se de fundamental importância na [[lexico:b:biologia:start|biologia]] do séc. XIX, quando, com Cuvier, serviu de fundamento e de ponto de partida para a anatomia comparada. Nesse significado, sem alusão à noção de [[lexico:p:probabilidade:start|probabilidade]], mas à de proporção, esse termo é hoje empregado em lógica. As "analogia formais" são condicionadas pelo caráter transitivo das relações cuja igualdade estabelecem. P. ex., diz-se que, se "x é antepassado de y e y é antepassado de z, x é antepassado de z"; ou então: se "x é [[lexico:p:parte:start|parte]] de y e y é parte de z, x é parte de z". A conclusão é exata, mas não o seria se, em [[lexico:l:lugar:start|lugar]] das relações "antepassado de" ou "parte de", fossem usadas, p. ex., "pai de", "ama" ou "odeia", etc. Não se pode dizer, com efeito, "x é pai de y e y é pai de z, logo x é pai de z". A analogia vale só para as chamadas "relações transitivas", cujo princípio pode ser assim expresso: as asserções de que x está em relação transitiva com y e que y está em relação transitiva com z implicam a [[lexico:a:assercao:start|asserção]] de que x está em relação transitiva com z (cf. [[lexico:r:russell:start|Russell]], Intr. to Math. Philosophy, 1918, cap. VI; [[lexico:s:strawson:start|Strawson]], Intr. to LogicalTheory, II, 2, 11). O uso do termo no sentido de extensão provável do conhecimento foi iniciado pela Escolástica, embora tal significado tenha permanecido estranho à própria Escolástica. Com efeito, essa palavra teve uso metafísico-teológico para distinguir e, ao mesmo tempo, vincular o ser de Deus e o ser das criaturas, que tinham sido contrapostos pela escolástica árabe e sobretudo por [[lexico:a:avicena:start|Avicena]], respectivamente como o ser necessário, que não pode não ser, e o ser possível, que pode ser e por isso precisa do ser necessário para existir. Assim, Guilherme de Alvérnia diz que o ser das coisas criadas e o ser de Deus não são idênticos nem diferentes, mas análogos: de algum modo se assemelham e se correspondem, sem [[lexico:t:ter:start|ter]] o mesmo significado (De Trin., 7). Tomás de Aquino distingue, com mais [[lexico:p:precisao:start|precisão]], o ser das criaturas, separável da sua essência e, portanto, criado, do ser de Deus, idêntico à essência e, portanto, necessário. Esses dois significados do ser não são unívocos, isto é, idênticos, nem equívocos, isto é, simplesmente diferentes; são análogos, ou seja, semelhantes, mas de proporções diversas. Só Deus tem o ser por essência; as criaturas o têm por particiação; elas, enquanto são, são semelhantes a Deus, que é o primeiro princípio universal do ser, mas Deus não é semelhante a elas: esta relação é a analogia (5. Th., I, q, 4, a. 3). A relação analógica estende-se a todos os predicados atribuídos, ao mesmo tempo, a Deus e às criaturas. P. ex., o termo "[[lexico:s:sabio:start|sábio]]", quando se refere ao homem, significa uma perfeição diferente da essência e da existência do homem, ao passo que, quando se refere a Deus, quer dizer uma perfeição idêntica à sua essência e ao seu ser; além disso, quando se refere ao homem, dá a entender o que quer significar, ao passo que, quando se refere a Deus, deixa fora de si a coisa significada, que transcende os limites do entendimento humano (Ibid., I, q. 13, a. 5). O significado diferente que um termo pode assumir segundo a sua atribuição a esta ou àquela realidade foi depois [[lexico:c:chamado:start|chamado]], pelos escolásticos, analogia de atribuição. Esse tipo de analogia verifica-se não só a propósito da atribuição de um mesmo termo a Deus e às criaturas, mas em muitos outros casos, como p. ex., quando se diz que um medicamento saudável e que um animal é saudável, na medida em que o medicamento é a causa da sanidade que está no animal (ibid., I, q. 13, a. 5). A analogia de proporcionalidade refere-se, porém, só à analogicidade de significado entre o ser de Deus e o ser das criaturas, tornando-se [[lexico:t:tema:start|tema]] de discussões polêmicas na Escolástica do séc. XIII e da primeira metade do séc. XIV. A analogia de proporcionalidade é frequentemente atribuída a Aristóteles pelos tomistas (assim como pelo próprio Tomás de Aquino), mas na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], ainda que Aristóteles tivesse começado a reconhecer vários sentidos do ser, fizera-o só para reconduzi-los a modos e especificações do único sentido de substância, isto é, do [[lexico:s:ser-enquanto-ser:start|ser enquanto ser]], do ser na sua [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]], que é o objeto da metafísica. Aristóteles, por isso, não distinguia nem podia distinguir o ser de Deus do ser das outras coisas: p. ex., Deus e a [[lexico:m:mente:start|mente]] são substâncias precisamente no mesmo sentido (Et. Nic, I, 6, 1.096 a 24). O maior crítico e opositor do tomismo neste ponto foi Duns Scot, que, reportando-se exatamente a Aristóteles, considerou que a [[lexico:n:nocao-de-ser:start|noção de ser]] é comum a todas as coisas existentes, logo tanto às criaturas quanto a Deus. Considerou-a, por isso, unívoca pelo [[lexico:m:motivo:start|motivo]] fundamental de que, se assim não fora, seria [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] conhecer algo de Deus e determinar qualquer [[lexico:a:atributo:start|atributo]] Seu, remontando, por via causal, das criaturas (Op. Ox., I, d. 3, q. 3, n. 9). Desse modo, também restabeleceu a unidade da ciência do ser, isto é, da metafísica — que, para o tomismo, dividia-se em ciência do ser criado (metafísica) e em ciência do ser necessário (teologia) — e, portanto, reduziu a teologia a ciência pratica (isto é, não dirigida para o conhecimento do homem, mas para a sua [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] com vistas à [[lexico:s:salvacao:start|salvação]]. 2) O segundo significado desse termo, como extensão provável do conhecimento mediante a passagem de uma proposição que exprime certa [[lexico:s:situacao:start|situação]] para uma outra proposição que exprime uma situação genericamente semelhante, ou como extenso da [[lexico:v:validade:start|validade]] de uma proposição de certa situação para uma situação genericamente semelhante, era conhecido pelos antigos com o nome de "procedimento por semelhança" (dia paraboles ou dia homoiotetos). Aristóteles diz: "A probabilidade também aparece no procedimento por semelhança quando se diz o contrário do contrário: p. ex., se é preciso fazer o bem aos amigos, pode-se dizer, por semelhança, que é preciso fazer o [[lexico:m:mal:start|mal]] aos inimigos" (Top., I, 10, 104 a 28; cf. El. sof, 173 b 38; 176 a 33, etc.) Esse procedimento, obviamente, nada tem que ver com a analogia: a relação é diferente (assim como "fazer o mal" é diferente de "fazer o bem") e entre as duas situações, portanto, não há igualdade de relações, mas só uma semelhança genérica. Aristóteles aconselha a usar esse procedimento para questões polêmicas (Top., VIII, 1, 156 b 25). Euclides de Mégara já havia contestado sua validade lógica. Ele "repudiava o procedimento por semelhança dizendo que ele vale de coisas semelhantes ou de coisas dessemelhantes. Se de coisas semelhantes, é melhor tratar das próprias coisas do que das que lhes são semelhantes; se de coisas dessemelhantes, é inútil a comparação" (Dióg. L., II, 107) Os epicuristas entendiam que a indução era um raciocínio por analogia e, portanto, defendiam a sua validade subordinadamente ao [[lexico:p:postulado:start|postulado]] da uniformidade da natureza. Diz Filodemo: "Quando nós julgamos: ‘Já que os homens que estão ao nosso alcance são [[lexico:m:mortais:start|mortais]], todos os homens são mortais’, o [[lexico:m:metodo:start|método]] [[lexico:a:analogico:start|analógico]] só será válido se supusermos que os homems que não estão em condições de se mostrarem a nós são, sob todos os aspectos, semelhantes aos que estão ao nosso alcance, de tal modo que se deve pressupor que eles também são mortais. Sem esse [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]], o método da analogia não é válido" (De signis, II, 25). Na filosofia moderna, a primeira defesa da analogia é provavelmente a de [[lexico:l:locke:start|Locke]], que, no IV livro de Ensaio, inclui a analogia entre os graus do [[lexico:a:assentimento:start|assentimento]]; mais precisamente, considera-a como probabilidade concernente a coisas que transcendem a experiência. A analogia é a única ajuda de que dispomos, segundo Locke, para alcançar um conhecimento provável dos "seres materiais finitos fora de nós", dos seres que, de qualquer modo, não nos sejam perceptíveis, ou enfim da maior parte das operações da natureza que se escondem da experiência humana direta (Ensaio, IV, 16). [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] concordou com Locke, ao ver na analogia "a grande [[lexico:r:regra:start|regra]] da probabilidade", na medida em que aquilo que não pode ser comprovado pela experiência pode parecer provável se está mais ou menos de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a verdade estabelecida. Leibniz acrescenta alguns exemplos do uso que os [[lexico:c:cientistas:start|cientistas]] fizeram da analogia e recorda que Huygens, fundando-se precisamente nela, julgou que o estado dos outros planetas é muito semelhante ao da [[lexico:t:terra:start|Terra]], salvo pela [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] produzida por suas diferentes distâncias do Sol (Nouv. ess,, IV, 16, 12). Na realidade, os cientistas dos sécs. XVII e XVIII utilizaram muito a analogia; e não foi sem razão que Kant utilizou esse termo para exprimir alguns princípios regulativos fundamentais da ciência do seu tempo. Entendeu, em geral, por analogia uma forma de [[lexico:p:prova:start|prova]] [[lexico:t:teoretica:start|teorética]] (v. Prova) e definiu-a como "a identidade da relação entre princípios e consequências (entre [[lexico:c:causas:start|causas]] e efeitos) enquanto tem lugar, não obstante, a diferença específica das coisas ou das qualidades em si (quer dizer: consideradas fora daquela relação), que contêm o princípio de consequências semelhantes" (Crít. do [[lexico:j:juizo:start|Juízo]], § 90). Enumerou quatro "analogia da experiência", enunciando-as do seguinte modo: à) princípio da permanência da substância, que assim se exprime: "Em toda [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] dos fenômenos a substância permanece e a sua [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] na natureza não aumenta nem diminui"; ti) princípio da [[lexico:s:serie:start|série]] [[lexico:t:temporal:start|temporal]] segundo a [[lexico:l:lei:start|lei]] da causalidade, que assim se exprime: "Todas as mudanças ocorrem segundo a lei do [[lexico:n:nexo:start|nexo]] de [[lexico:c:causa-e-efeito:start|causa e efeito]]"; c) princípio da [[lexico:s:simultaneidade:start|simultaneidade]] segundo a lei da [[lexico:a:acao-reciproca:start|ação recíproca]], que assim se exprime: "Todas as substâncias, enquanto podem ser percebidas no [[lexico:e:espaco:start|espaço]] como simultâneas, estão entre si em [[lexico:a:acao:start|ação]] recíproca universal". Kant esclareceu do seguinte modo o sentido em que esses princípios são chamados de analogias. Em matemática, as analogia são fórmulas que exprimem a igualdade de duas relações quantitativas e são sempre constitutivas, isto é, quando são dados três membros da proporção, é [[lexico:d:dado:start|dado]] também o quarto, que, portanto, pode ser [[lexico:c:construido:start|construído]]. Em filosofia, porém, a analogia é a igualdade entre duas relações não quantitativas, mas qualitativas: o que quer dizer que, dados três termos da proporção, o quarto termo não é, por isso, dado,- mas só é dada certa relação com eles. Essa relação é uma regra para procurá-lo na experiência e um sinal para descobri-lo. De modo que o princípio da permanência da substância, o [[lexico:p:principio-de-causalidade:start|princípio de causalidade]] e o princípio de [[lexico:r:reciprocidade:start|reciprocidade]] de ação não fazem parte verdadeiramente da [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] dos objetos de experiência, mas valem somente para descobri-los e para situá-los na ordem universal da natureza. Esses princípios são, é bem verdade, apriori, e portanto certos de forma indubitável, mas, ao mesmo tempo, são desprovidos de [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] [[lexico:i:intuitiva:start|intuitiva]], ao passo que os "axiomas da [[lexico:i:intuicao:start|intuição]]" (v. [[lexico:a:axioma:start|axioma]]) e as "antecipações da [[lexico:p:percepcao:start|percepção]]" (v. antecipações) são princípios constitutivos porque ensinam "como os fenômenos, tanto com respeito à sua realidade percebida, quanto com respeito à sua intuição, podem ser produzidos segundo as regras de uma síntese matemática" (Crít. R. Pura, Anal. dos princ., III, 3). [[lexico:c:como-se:start|como se]] vê, permanece neste uso kantiano o significado da analogia como igualdade entre relações, mas tais relações são ditas "qualitativas" no sentido de que, com elas, não são dados os objetos, mas só as relações que permitem descobri-los e organizá-los em unidades. E, com efeito, os princípios da permanência da substância, de causalidade e de reciprocidade não levam a conhecer nada, mas servem para descobrir os objetos cognoscíveis e organizá-los, segundo os seus nexos, na unidade da experiência. Nesse sentido, a analogia é um [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]], aliás, um dos instrumentos fundamentais para estender o conhecimento dos fenômenos naturais, usando como guia as suas conexões determinantes. A lógica e a [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] da ciência do séc. XX não confiaram na analogia, considerando-a, geralmente, como uma extensão da [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] indutiva além dos limites dentro dos quais ela oferece [[lexico:g:garantia:start|garantia]] de verdade. [[lexico:s:stuart-mill:start|Stuart Mill]] considerou o raciocínio por analogia "uma [[lexico:i:inferencia:start|inferência]] de que o que é verdade em certo caso também é verdade em um caso de algum modo semelhante, mas não exatamente paralelo, isto é, não semelhante em todas as circunstâncias materiais. Um objeto tem a propriedade b, outro não tem a propriedade b, mas é semelhante ao primeiro em uma propriedade a não ligada a b, a analogia levará à conclusão de que esse objeto também tem a propriedade b. P. ex., diz-se que os planetas são habitados porque a Terra é habitada". Esse modo de argumentar pode, segundo Stuart [[lexico:m:mill:start|Mill]], aumentar só em [[lexico:g:grau:start|grau]] não determinável, mas em todo caso muito modesto, a probabilidade da conclusão; mas em compensação, pode dar lugar a muitas falácias (Logic, V, 5, 6). Mas a lógica e a metodologia atuais são muito menos céticas em relação à analogia talvez porque a remetam ao significado ls, isto é, à igualdade de relações. P. ex., um dos procedimentos analógicos consiste na [[lexico:c:criacao:start|criação]] de [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] que tenham semelhança maior ou menor com as situações reais, e cujas relações reproduzam as relações inerentes aos elementos de tais situações. Tais símbolos são, às vezes, modelos mecânicos, quer dizer, desenhos, esquemas ou máquinas que reproduzem as relações existentes entre elementos reais; tais são, p. ex., os modelos do sistema solar, da estrutura do [[lexico:a:atomo:start|átomo]], do sistema nervoso, etc. Outras vezes, tais modelos são obtidos através do chamado [[lexico:p:processo:start|processo]] de [[lexico:e:extrapolacao:start|extrapolação]], que consiste em levar ao [[lexico:l:limite:start|limite]] o [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] de um conjunto de casos ordenados numa série na qual se suponham eliminadas, gradualmente, as influências perturbadoras. Fala-se, p. ex., em velocidade infinita ou em velocidade [[lexico:z:zero:start|zero]], ou massas reduzidas a um ponto geométrico, em alavancas perfeitas, em gases ideais, etc. Todo [[lexico:m:modelo:start|modelo]] é um exemplo de analogia, no sentido le, por ser próprio de um modelo reproduzir, entre os seus elementos, as mesmas relações dos elementos da situação real. Mas os físicos também falam hoje de analogia como de [[lexico:c:condicao:start|condição]] ou de [[lexico:e:elemento:start|elemento]] integrante das [[lexico:h:hipoteses:start|hipóteses]] e das teorias científicas. Segundo essa orientação, a analogia faz parte da constituição de uma [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] na medida em que "as proposições de uma hipótese devem ser análogas a algumas leis conhecidas": nesse sentido, a analogia não é só um auxílio à formulação de uma teoria, mas é parte integrante dela. "Considerar a analogia como um auxílio à [[lexico:i:invencao:start|invenção]] das teorias é tão [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]] quanto considerar a melodia um auxílio para a composição de uma sonata. Se, para compor [[lexico:m:musica:start|música]], só fosse necessário obedecer às leis da [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] e aos princípios formais de [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]], todos seríamos grandes compositores; mas é a [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] do sentido melódico que nos impede de atingir [[lexico:e:excelencia:start|excelência]] musical simplesmente comprando um manual de música" (N. R. Campbell, Physics; The Elements, 1920, p. 130). A analogia corresponderia, portanto, em física ao que é o sentido musical em música: garantiria a [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] de uma hipótese científica às uniformidades expressas ou formuladas nas leis. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}