===== ANÁLISE DA REALIDADE ===== Iniciaremos [[lexico:e:estudo|estudo]] da [[lexico:a:analitica-transcendental|analítica transcendental]] de [[lexico:k:kant|Kant]] com uma [[lexico:a:analise|análise]] disso que chamamos [[lexico:r:realidade|realidade]]. Relembremos, para o caso, que [[lexico:d:descartes|Descartes]] iniciou o filosofar com a [[lexico:d:duvida|dúvida]] [[lexico:m:metodica|metódica]]. A dúvida tem diante de si um [[lexico:c:campo|campo]] relativamente vasto sobre o qual pode exercitar-se. Porém [[lexico:e:esse|esse]] campo vastíssimo sobre o qual a dúvida se exercita pode-se dividir cm dois grandes setores. Em um setor encontram-se as [[lexico:c:coisas|coisas]] que vemos, ouvimos e tocamos; as [[lexico:c:coisas-reais|coisas reais]], as realidades. No [[lexico:o:outro|outro]] setor encontram-se nosso [[lexico:v:ver|ver]], ouvir e tocar essas coisas, aquilo que Descartes chama [[lexico:p:pensamentos|Pensamentos]]. E lembremos também que Descartes chega à conclusão de que a dúvida faz [[lexico:i:impressao|impressão]] nas , realidades, nos objetos do [[lexico:p:pensamento|pensamento]], mas que [[lexico:n:nao|não]] faz mossa, não pode fazei entalho nos próprios pensamentos. Diz Descartes: se [[lexico:e:eu|eu]] penso o centauro, pode [[lexico:s:ser|ser]] que o centauro não exista; porém meu pensamento dele sim existe. Diz Descartes: se eu [[lexico:s:sonho|sonho]] que estou voando, pode ser que eu, com [[lexico:e:efeito|efeito]], não esteja voando, mas dormindo; porém não pode ser que não esteja sonhando que estou voando. A dúvida, pois, não faz marca nos puros pensamentos, porém faz marca na realidade, nos objetos. Relembrando isto, podemos perguntar-nos: então, que é aquilo que Descartes chama realidade? Descartes chama realidade ao seguinte: que a um pensamento corresponda um [[lexico:o:objeto|objeto]] [[lexico:a:alem|além]] do pensamento. Por isso Descartes diz que pode perfeitamente não incorrer jamais em [[lexico:e:erro|erro]] algum com só [[lexico:t:ter|ter]] cuidado de não afirmar ou negar nenhum pensamento. Porque afirmar ou negar um pensamento é afirmar ou negar que a esse pensamento corresponda efetivamente um objeto. Bastará, pois, não julgar dessa realidade para não incorrer jamais em erro, visto que, limitando-nos a [[lexico:p:pensar|pensar]] não podemos errar, e só podemos errar quando afirmamos que aquilo que pensamos existe.