===== AMBIENTE ===== (in. Environment; fr. Milieu; al. Mittel; it. Ambiente). No [[lexico:s:significado:start|significado]] corrente, um [[lexico:c:complexo:start|complexo]] de [[lexico:r:relacoes:start|relações]] entre [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:n:natural:start|natural]] e [[lexico:s:ser:start|ser]] vivo, que influem na [[lexico:v:vida:start|vida]] e no [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] do mesmo ser vivo. Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]], essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]] (milieu ambiant) foi provavelmente introduzida pelo biólogo Geoffroy St.-Hilaire (Études progressives d’un naturaliste, 1835), sendo retomada e empregada por [[lexico:c:comte:start|Comte]] (Cours de philosophie positive, liç. 40, § 13 ss.). Observações sobre a [[lexico:i:influencia:start|influência]] das condições físicas, especialmente do clima, sobre a vida dos animais, em [[lexico:g:geral:start|geral]], e do [[lexico:h:homem:start|homem]] em [[lexico:p:particular:start|particular]], e até sobre a vida [[lexico:p:politica:start|política]] do homem, encontram-se frequentemente nos escritores antigos (cf., p. ex., [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], Pol., VII, 4, 7), sendo depois repetidas de várias formas. No mundo [[lexico:m:moderno:start|moderno]], deve-se a [[lexico:m:montesquieu:start|Montesquieu]] (Livro XIV de l’esprit des lois, 1648) o [[lexico:p:principio:start|princípio]], por ele sistematicamente desenvolvido, de que "o [[lexico:c:carater:start|caráter]] do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] e as paixões do [[lexico:c:coracao:start|coração]] são extremamente diferentes nos diversos climas" e por isso "as leis devem ser relativas à [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] dessas paixões e à diferença desses [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]]". O [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] oitocentista atribuiu ao ambiente [[lexico:f:fisico:start|físico]] e biológico [[lexico:v:valor:start|valor]] de [[lexico:c:causa:start|causa]] determinante de todos os fenômenos propriamente humanos, da [[lexico:l:literatura:start|literatura]] à política. A [[lexico:o:obra:start|obra]] literária e filosófica de [[lexico:t:taine:start|Taine]] contribuiu para a difusão dessa [[lexico:t:tese:start|tese]], segundo a qual o ambiente físico, biológico e [[lexico:s:social:start|social]] determina necessariamente todos os produtos e valores humanos, bastando para explicá-los. Em [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] da [[lexico:a:arte:start|arte]] (1865), Taine afirmou que a obra de arte é [[lexico:p:produto:start|produto]] [[lexico:n:necessario:start|necessário]] do ambiente e que, por isso, se pode inferir dele [[lexico:n:nao:start|não]] só o [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] das formas gerais da [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]] humana, como também a [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] para as variações de estilos, as diferenças de escolas nacionais, e até mesmo os caracteres gerais das obras individuais. No mundo contemporâneo, a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de ambiente continuou sendo fundamental nas ciências biológicas, antropológicas e sociológicas, mas foi se transformando gradualmente, já que a [[lexico:r:relacao:start|relação]] entre o ambiente e o [[lexico:o:organismo:start|organismo]], ou entre o homem e o [[lexico:g:grupo:start|grupo]] social deixou de ser entendida segundo um [[lexico:e:esquema:start|esquema]] [[lexico:m:mecanico:start|mecânico]], isto é, como uma relação de [[lexico:d:determinismo:start|determinismo]] causal [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]]. A [[lexico:a:acao:start|ação]] seletiva que o ser, sobre o qual o ambiente age, exerce em face do [[lexico:p:proprio:start|próprio]] ambiente foi amplamente sublinhada. "O ambiente de um organismo", disse Goldstein, "não é algo acabado, mas vai-se formando continuamente, à [[lexico:m:medida:start|medida]] que o organismo vive e age. Poder-se-ia dizer que o ambiente é extraído do mundo pela [[lexico:e:existencia:start|existência]] do organismo, ou, mais objetivamente, que um organismo não pode [[lexico:e:existir:start|existir]] se não conseguir encontrar no mundo, talhar nele, para si, um ambiente [[lexico:a:adequado:start|adequado]], contanto, naturalmente, que o mundo lhe ofereça essa [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]]" (Aufbau des Organismus, 1934, p. 58). Analogamente, a propósito do ambiente histórico-social, Toynbee disse: "O ambiente total, geográfico e social, em que está compreendido tanto o [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] quanto o não-humano, não pode ser considerado um fator [[lexico:p:positivo:start|positivo]] a partir do qual as civilizações foram geradas. É claro que uma combinação virtualmente idêntica dos dois [[lexico:e:elementos:start|elementos]] do ambiente pode originar uma [[lexico:c:civilizacao:start|civilização]] num caso e deixar de originá-la em [[lexico:o:outro:start|outro]], sem que seja [[lexico:p:possivel:start|possível]], de nossa [[lexico:p:parte:start|parte]], [[lexico:e:explicar:start|explicar]] essa diferença absoluta em seu surgimento com alguma diferença [[lexico:s:substancial:start|substancial]] nas circunstâncias, por mais exatos que tenham sido os termos da comparação" (A Study of History, I, p. 269). Isto, obviamente, não significa que o ambiente não aja de nenhum [[lexico:m:modo:start|modo]] sobre a vida e sobre as criações dos homens, mas apenas que é mais [[lexico:c:condicao:start|condição]] do que causa. Os filósofos sublinharam [[lexico:e:esse:start|esse]] novo significado de ambiente. Mead disse: "O ambiente é uma [[lexico:s:selecao:start|seleção]] dependente da [[lexico:f:forma:start|forma]] viva" (Phil. of the Act, p. 164). Por outro lado, [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] pretendeu analisar o ser no mundo (que é [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] da existência) como um [[lexico:q:questionamento:start|questionamento]] e uma [[lexico:d:discussao:start|discussão]] da noção de ambiente que a [[lexico:b:biologia:start|biologia]] apenas pressupõe (Sein und Zeit, §12). Consideraremos ambiente dentro de três pontos de vista: o ambiente ecológico, o ambiente [[lexico:e:existencial:start|existencial]] e o ambiente comunicacional. "[[lexico:e:ecologia:start|ecologia]]" vem do [[lexico:g:grego:start|grego]] [[lexico:o:oikia:start|oikia]], "casa". O planeta é nossa casa; a ecologia estuda a interdependência das formas de vida que coexistem sobre a [[lexico:t:terra:start|Terra]]. Por que este [[lexico:e:estudo:start|estudo]]? Constata-se que há uma notável interfusão entre as diversas maneiras de organização vital, e que, quando o seu equilíbrio é alterado, as consequências tendem a ser prejudiciais aos diversos tipos de organismos em equilíbrio. A [[lexico:d:destruicao:start|destruição]] de parte de uma floresta pode tornar desértico o clima de uma [[lexico:r:regiao:start|região]]; extinguindo-se uma [[lexico:e:especie:start|espécie]], outras espécies podem proliferar de modo indesejável. Um [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] esclarece a [[lexico:q:questao:start|questão]]. Um fazendeiro elimina os falcões que, de vez em quando, atacam as galinhas de seu galinheiro. Ora, estes falcões se alimentavam, habitualmente, de pássaros menores. Eliminados os falcões, os pássaros menores fazem uma razzia nas aranhas da região (razzia esta que a existência dos falcões impedia, por limitar o [[lexico:n:numero:start|número]] dos pássaros), e impedem o controle exercido por estas a determinada espécie de pulgões prejudiciais às culturas agrícolas da região. O fazendeiro — que queria evitar a [[lexico:m:morte:start|morte]] de uma meia dúzia de galinhas por mês — vê seriamente atacada a sua colheita pelos pulgões (este caso foi cuidadosamente acompanhado em 1967 na França). Das diversas maneiras que há de influirmos sobre e alterarmos o equilíbrio ecológico das formas de vida numa região, [[lexico:a:alem:start|além]] do combate a uma das espécies em [[lexico:c:coexistencia:start|coexistência]] no local em causa, existe o gravíssimo [[lexico:p:problema:start|problema]] da poluição. A poluição tem [[lexico:m:motivos:start|motivos]] técnicos fundados numa dificuldade [[lexico:e:economica:start|econômica]]. Os motivos técnicos são: produtos manufaturados pela maior parte das indústrias que compõem nosso habitat tecnológico tendem a ser "naturalmente" indestrutíveis. O ferro se enferruja, mas e os plásticos? Materiais radioativos naturais são raros, mas reiteradamente produzimos isótopos com uma vida média grande (anos ou meses) e em quantidades cada vez maiores. Jogamos DDT e adubos químicos para aumentar a produção agrícola de uma faixa de terra. E subitamente a composição química do solo entra em pane, e o solo fica estéril. Ou se descobre que o metabolismo das plantas — por se fundar nas disponibilidades do solo — passa a acumular [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] prejudiciais à nossa saúde. Produz-se mais, mas de [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] inferior. A dificuldade que chamamos de "econômica" é a própria dificuldade central da [[lexico:e:economia:start|economia]]: a escassez de recursos. O desenvolvimento irrefreado da [[lexico:t:tecnologia:start|tecnologia]] foi uma resposta a esta escassez sempre aumentando com o [[lexico:a:aumento:start|aumento]] da população (pois o ser humano, lembremo-nos, não tem "inimigos naturais" que dele se alimentem) . Verifica-se no entanto, que não é impune e sem consequências este desenvolvimento irrefreado tanto da população quanto da resposta tecnológica enquanto "solução" para a escassez de recursos sobre o planeta. Não há, aparentemente, maneira "natural" de se controlar o desenvolvimento da população humana; mesmo as guerras, que de vez em quando são consideradas como uma espécie de [[lexico:m:mecanismo:start|mecanismo]] auto-regulador do número de indivíduos da espécie, são [[lexico:b:bem:start|Bem]] pouco eficazes neste sentido. O passo [[lexico:r:razoavel:start|razoável]] diante do problema parece ser a [[lexico:i:instituicao:start|instituição]] de um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] eficaz de controle da natalidade, de forma a reduzirmos a níveis adequados a população humana do planeta (excluídas as [[lexico:h:hipoteses:start|hipóteses]] de migração interplanetária, o que em cinquenta anos talvez já seja uma possibilidade efetiva) . Para que, tal [[lexico:r:reducao:start|redução]] populacional? Para que a tecnologia deixe de ser um modo de combate à escassez de recursos, tornando-se no que ela afirma ser, um [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] de melhoria da vida humana. Com a população em níveis adequados, indústrias como a de alimentos sintéticos "baratos" deixam de ser necessárias, e a alimentação poderá ser atendida por uma agropecuária racionalizada. Também adubagens químicas ou maneiras equivalentes de cansarmos o solo poderão vir a ser abandonadas; e é inclusive possível que [[lexico:t:todo:start|todo]] o setor diretamente para consumo da indústria desapareça (o setor que se destina — e vive — em [[lexico:f:funcao:start|função]] da aceleração do ciclo das modas) ou se reestruture radicalmente (e é claro que a [[lexico:m:moda:start|moda]] não vai desaparecer, mas sim deixar de ser flagrantemente espoliadora). Em resumo: utilizando uma [[lexico:e:expressao:start|expressão]] muito feliz (Habermas, Jurgen ,Technik und Wissenschaft als Ideologie, Suhrkamp, Frankfurt, 1968, p. 57), "em vez de termos a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] como [[lexico:o:objeto:start|objeto]] (Gegen-Stand) de uma possível exploração [[lexico:t:tecnica:start|técnica]], poderemos encontrá-la como a colaboradora (Gegen-Spieler) de uma [[lexico:i:interacao:start|interação]] possível". Por que tal possível [[lexico:r:racionalizacao:start|racionalização]] não ocorre? Porque infelizmente estamos longe de nos libertarmos de atitudes muito tristes, como aquela da igreja católica em seu combate ao controle da natalidade na Humanae Vitae por motivos que vão desde à sua frustração sexual até a uma pretensa defesa da "[[lexico:r:riqueza:start|riqueza]] humana" dos povos subdesenvolvidos. Depois, defendem-se doutrinas políticas de "ocupação humana" pela proliferação populacional do território de um país (e nestas doutrinas há sempre uma lembrança da doutrina do Lebensraum nazista). Finalmente, no ambiente de desconfiança e trapaça em que se movem as relações internacionais, não há possibilidade [[lexico:r:real:start|real]] de execução de um programa razoável para a redução a níveis adequados da população do planeta. Talvez esta última dificuldade desapareça quando gente mais razoável passar a dirigir os países do mundo: e muitas surpresas (claro que nem todas necessariamente agradáveis) podem ocorrer quando os [[lexico:c:cientistas:start|cientistas]] perceberem que, em nossa [[lexico:c:cultura:start|cultura]] ocidental, o poder [[lexico:e:efetivo:start|efetivo]] deles emana (e será que a [[lexico:i:imagem:start|imagem]] do "cientista louco" não é uma sutil contra-propaganda daqueles que, hoje ainda poderosos, têm medo desta inversão do poder efetivo?). A questão ecológica do ambiente nos atira em sua questão "existencial". Conquanto nos seja difícil esclarecer o que seja esta questão existencial, compreenda-se esta palavra no sentido da [[lexico:i:interrogacao:start|interrogação]] que Heidegger vem desenvolvendo. A questão existencial tem dois níveis- O primeiro resulta da [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] entre ambiente "natural" e ambiente "artificial". Utilizemos uma imagem para esclarecer e afirmar esta oposição. Se estamos no alto de uma colina perto do mar vendo a praia e as ondas na orla arenosa, nossa [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] da paisagem corresponde a uma certa [[lexico:t:tranquilidade:start|tranquilidade]] e satisfação. Porque o vento na cara é [[lexico:b:bom:start|Bom]], é gostoso; tanto num dia de [[lexico:s:sol:start|sol]] [[lexico:a:aberto:start|aberto]] podemos ficar alegres quanto num dia chuvoso. Para os primitivos indo-europeus, o [[lexico:d:deus:start|Deus]] absoluto era Diawes, "o [[lexico:c:ceu:start|céu]] iluminado" e [[lexico:n:nada:start|nada]] existe mais absoluto que o céu azuí, [[lexico:p:profundo:start|profundo]] e [[lexico:i:indistinto:start|indistinto]]. Como também nada tão misterioso e essencialmente velado (mas às vezes se abrindo para nós) quanto o mar — e o mar é o [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] [[lexico:c:classico:start|clássico]] de nosso [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]]. O ambiente "natural" se mostra como sendo o correspondente físico às nossas paisagens mentais; a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] [[lexico:s:simbolica:start|simbólica]] da natureza — das nossas experiências existenciais — e da nossa [[lexico:m:mente:start|mente]] é a mesma. [[lexico:a:agora:start|agora]] sentemo-nos na mesma colina dez anos depois: a [[lexico:c:cidade:start|cidade]] avançou; construiu-se um bairro populoso e progressista. Do mar ainda vemos uma pequena faixa entre dois edifícios; a fumaça destruiu o azul do céu (e que, no [[lexico:m:meio:start|meio]] do bairro, é um quadrado [[lexico:m:mal:start|mal]] visível das áreas internas dos prédios) . Este é o ambiente "artificial". Nós nos alienamos, porque impusemos uma [[lexico:s:serie:start|série]] de bloqueios entre nós e o nosso mundo, que é o mundo natural. A proliferação indiscriminada de mediadores que nos "facilitam" a vida nos cortou o contato com nossa terra e nosso céu. Este exemplo vagamente banal se torna aterrorizante quando examinamos alguns casos clássicos de esquizofrenia. A esquizofrenia é uma [[lexico:d:doenca-mental:start|doença mental]] que se caracteriza por um rompimento entre o doente e o "mundo" : schízo quer dizer, em grego "[[lexico:e:eu:start|eu]] corto". Um menino esquizofrênico só consegue realizar suas funções naturais — comer, urinar, defecar, dormir — ajudado por gadgets que imitam máquinas e mecanismos. O mundo, o "natural" foi perdido para a criança doente. E assim como a tecnologia é "mediadora" entre a espécie humana e os "recursos naturais", assim também a esquizofrenia utiliza caricaturas de máquinas para que o doente possa atingir o seu "natural". Isto quer dizer: a [[lexico:m:maquina:start|máquina]] é o [[lexico:a:arquetipo:start|arquétipo]] dos [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] na psicoses É neste sentido que a máquina e seu ambiente são "antinaturais". O segundo nível da questão existencial interroga, diante do que foi exposto, qual a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] do ambiente? Tomemos uma [[lexico:d:definicao:start|definição]] habitual: "o ambiente é tudo aquilo que nos cerca". Nesta afirmativa há uma [[lexico:p:polaridade:start|polaridade]] implícita; o "nos" é uma espécie de centro referencial para os elementos que constituem o ambiente, o "aquilo que nos cerca". Qual a relação entre este centro referencial e o resto? Para as ciências naturais — [[lexico:f:fisica:start|física]], química, biologia —, "dentro de todos os fins práticos", esta é uma relação [[lexico:s:sujeito-e-objeto:start|sujeito e objeto]]. As ciências naturais partem da [[lexico:p:premissa:start|premissa]] de um corte entre o [[lexico:o:observador:start|observador]] e o observado, entre a [[lexico:r:referencia:start|referência]] ([[lexico:s:sujeito:start|sujeito]]) para o ambiente e os elementos que constituem o ambiente. Dentro deste [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, a estrutura do ambiente se reduz à [[lexico:e:enumeracao:start|enumeração]] dos objetos que o compõem. Mas isto é [[lexico:f:falso:start|falso]]. O ambiente não se reduz a um conjunto de coisas-objetos. Sentimos talvez esta dificuldade ao tentarmos objetificar fatores de extrema importância (mas difícil [[lexico:o:objetificacao:start|objetificação]]) como o "ambiente familiar" ou as "influências sociais". Heidegger, estudando o "mundo" (Heidegger, Martin, Sein und Zeit, (1927), Niemeyer Verlag, Tubingen, 1967, p. 665), elucida o que chamamos de ambiente através da noção de instrumento (Zeug). Os instrumentos se encadeiam uns nos outros por sua [[lexico:u:utilidade:start|utilidade]]: o martelo serve para pregar um prego na parece, que vai segurar um quadro que. .. Esta [[lexico:v:visao:start|visão]] heideggeriana, além de, negando a cisão entre nós e as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] revelar uma natural "interdependência" entre o ambiente e nós, mostra como a maneira de [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] do ambiente como "conjunto de objetos" não é senão um dos modos de [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] do mundo; quando sobre êle meditamos, "destruimos" a encadeação das coisas em termos de sua utilidade própria, e "encontramos" um mundo de objetos isolados. O prolongamento desta [[lexico:a:analise:start|análise]] se encontra nas analíticas dos objetos e da existência. Em Marshall [[lexico:m:mcluhan:start|McLuhan]] veremos o approach comunicacional ao estudo da estrutura do ambiente. O que para Heidegger é um "instrumento" (Zeug), McLuhan chama "meio de [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]]" (Médium). O meio de comunicação nos facilita o [[lexico:a:acesso:start|acesso]] ao mundo natural. Na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], os media devem servir unicamente neste acesso, mas, como eles são as coisas de nosso mundo (a roda, a roupa, o martelo, a televisão, a eletrônica), sua [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] é agirem como plasmadores e modeladores do mundo; constituem o que McLuhan chamará, explicitamente, "ambiente" (environment). Numa [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] provocante, McLuhan dirá que as grandes crises históricas resultam do choque de uma [[lexico:m:mentalidade:start|mentalidade]] adaptada a um ambiente passado (= a [[lexico:m:meios-de-comunicacao:start|meios de comunicação]] superados) em confronto com um novo ambiente (= que se constitui por novos meios de comunicação). No seu livro War and Peace in the Global Village (McLuhan, Marshall, Fiore, Quentin, War and Peace in the Global Village, Bantam, 1968) êle afirma que as guerras são feitas para que se recupere a [[lexico:i:identidade:start|identidade]] perdida por causa da renovação do ambiente. (Francisco Doria - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}