===== AGNOSTICISMO ===== Doutrina ou [[lexico:a:atitude|atitude]] filosófica que declara o [[lexico:a:absoluto|absoluto]] inacessível ao [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:h:humano|humano]]. — [[lexico:e:expressao|Expressão]] [[lexico:g:geral|geral]] de um espírito [[lexico:p:positivo|positivo]] em [[lexico:m:materia|matéria]] de [[lexico:e:experiencia|experiência]], cético em matéria religiosa e [[lexico:m:metafisica|metafísica]] ([[lexico:k:kant|Kant]], A. [[lexico:c:comte|Comte]]). O agnóstico se opõe tanto aos "gnósticos" (que exaltam a [[lexico:c:crenca|crença]] [[lexico:i:irracional|irracional]]) quanto aos "dogmáticos" (que afirmam a [[lexico:v:verdade|verdade]] absoluta de suas demonstrações racionais). (in. Agnosticism; fr. Agnosticisme; al. Agnosticismus-; it. Agnosticismó). [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:termo|termo]] foi criado pelo naturalista inglês Thomas [[lexico:h:huxley|Huxley]] em 1869 (Collected Essays, V, pp. 237 ss.) para indicar a atitude de [[lexico:q:quem|quem]] se [[lexico:r:recusa|recusa]] a admitir soluções para os problemas que [[lexico:n:nao|não]] podem [[lexico:s:ser|ser]] tratados com os métodos da [[lexico:c:ciencia|ciência]] positiva, sobretudo os problemas metafísicos e religiosos. O [[lexico:p:proprio|próprio]] Huxley declarou [[lexico:t:ter|ter]] cunhado esse termo "como [[lexico:a:antitese|antítese]] do ‘gnóstico’ da [[lexico:h:historia|história]] da Igreja, que pretendia [[lexico:s:saber|saber]] muito sobre [[lexico:c:coisas|coisas]] que [[lexico:e:eu|eu]] ignorava". Esse termo foi retomado por [[lexico:d:darwin|Darwin]], que se declarou agnóstico em uma carta de 1879. Desde então o termo foi usado para designar a atitude dos [[lexico:c:cientistas|cientistas]] de [[lexico:o:orientacao|orientação]] positivista em face do Absoluto, do [[lexico:i:infinito|infinito]], de [[lexico:d:deus|Deus]] e dos respectivos problemas, atitude essa marcada pela recusa de professar publicamente qualquer [[lexico:o:opiniao|opinião]] sobre tais problemas. Assim, foi chamada da agnóstica a [[lexico:p:posicao|posição]] de [[lexico:s:spencer|Spencer]], que, na primeira [[lexico:p:parte|parte]] dos [[lexico:p:primeiros-principios|primeiros princípios]] (1862), pretendeu demonstrar a inacessibilidade da [[lexico:r:realidade|realidade]] última, isto é, da [[lexico:f:forca|força]] misteriosa que se manifesta em todos os fenômenos naturais. O fisiólogo alemão Du-Bois Raymond, num [[lexico:t:texto|texto]] de 1880, enunciava Os sete [[lexico:e:enigmas|enigmas]] do [[lexico:m:mundo|mundo]] ([[lexico:o:origem|origem]] da matéria e da [[lexico:v:vida|vida]]; origem do [[lexico:m:movimento|movimento]]; surgimento da vida; organização finalista da [[lexico:n:natureza|natureza]]; surgimento da [[lexico:s:sensibilidade|sensibilidade]] e da [[lexico:c:consciencia|consciência]]; [[lexico:p:pensamento|pensamento]] [[lexico:r:racional|racional]] e origem da [[lexico:l:linguagem|linguagem]]; [[lexico:l:liberdade|liberdade]] do querer), em face dos quais ele achava que o [[lexico:h:homem|homem]] estava destinado a pronunciar um [[lexico:i:ignorabimus|ignorabimus]], já que a ciência nunca poderá resolvê-los. No mesmo período, essa [[lexico:p:palavra|palavra]] foi estendida para designar também a doutrina de Kant, porquanto esta considere que o [[lexico:n:numeno|númeno]], ou a [[lexico:c:coisa|coisa]] em si, está [[lexico:a:alem|além]] dos limites do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] humano (v. númeno). Mas essa [[lexico:e:extensao|extensão]] da palavra não pode ser considerada de [[lexico:t:todo|todo]] legítima, dada a concepção kantiana de númeno como conceito-limite. É parte integrante da [[lexico:n:nocao|noção]] de agnosticismo a [[lexico:r:reducao|redução]] do [[lexico:o:objeto|objeto]] da [[lexico:r:religiao|religião]] a [[lexico:s:simples|simples]] "[[lexico:m:misterio|mistério]]", em cuja [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] os [[lexico:s:simbolos|símbolos]] usados são de todo inadequados. (derivado de grego agnostos: desconhecido; usado pela primeira vez por Th. H. Huxley) significa, etimologicamente, doutrina da incognoscibilidade. Segundo a acepção corrente, designa aquela direção filosófica que defende a incognoscibilidade do [[lexico:s:supra-sensivel|supra-sensível]] e, por conseguinte, a [[lexico:n:negacao|negação]] da metafísica como ciência, especialmente no que se refere à [[lexico:p:possibilidade-do-conhecimento|possibilidade do conhecimento]] de Deus. Não impugna a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] nem também a cogitabilidade do ser para além da [[lexico:a:area|área]] da experiência [[lexico:p:possivel|possível]], mas denega à [[lexico:r:razao|razão]] humana a [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de conhecer com [[lexico:c:certeza|certeza]] a [[lexico:e:existencia|existência]] e, com dobrada razão, a [[lexico:e:essencia|essência]] do [[lexico:e:ente|ente]] [[lexico:m:metempirico|metempírico]] ("[[lexico:t:transcendente|transcendente]]"). Portanto, o conhecimento fica circunscrito ao intra-mundano, ao compreensível mediante [[lexico:c:conceitos|conceitos]] próprios e unívocos; pelo contrário, o transcendente ( [[lexico:t:transcendencia|Transcendência]]) — dada a [[lexico:i:ignorancia|ignorância]] da possibilidade do conhecimento [[lexico:a:analogico|analógico]] — permanece na melhor das [[lexico:h:hipoteses|hipóteses]], à mercê de um pressentimento, [[lexico:s:sentimento|sentimento]] ou "[[lexico:f:fe|fé]]" irracionais. O agnosticismo é [[lexico:e:essencial|essencial]] a todo [[lexico:p:positivismo|positivismo]]; encontra-se outrossim no [[lexico:c:criticismo|criticismo]] de Kant, na [[lexico:f:filosofia-da-religiao|filosofia da religião]] do [[lexico:m:modernismo|modernismo]], decididamente influída por ele, na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] religiosa do [[lexico:m:moderno|moderno]] protestantismo e também na [[lexico:t:teologia-dialetica|teologia dialética]]. Pelo contrário, o [[lexico:i:idealismo|Idealismo]], levado às últimas consequências, ao reduzir toda realidade à consciência, desconhece, em [[lexico:p:principio|princípio]], o [[lexico:i:incognoscivel|incognoscível]], embora, naturalmente, só evite o agnosticismo, negando em absoluto a existência do transcendente. — De Vries. Do [[lexico:g:grego|grego]] [[lexico:a:agnostos|agnostos]], o que não se pode conhecer. Termo de [[lexico:f:formacao|formação]] recente (Huxley, 1869). a) Emprega-se para designar toda doutrina que afirma a [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] peremptória de conhecer a realidade ou certas regiões da realidade, cuja existência, porém, é admitida como certa ou como possível. b) Também designa a atitude filosófica, que renuncia, em princípio, as especulações metafísicas, por julgá-las fúteis. A primeira [[lexico:d:definicao|definição]] abrange doutrinas filosóficas de cunhagem bastante diversa. É [[lexico:c:costume|costume]] aplicar esse [[lexico:n:nome|nome]], especialmente, aos positivistas, Comte, e Spencer, como, com alguma reserva, também ao criticismo de Kant, e a todos os que, atribuindo ao conhecimento um [[lexico:v:valor|valor]] [[lexico:r:relativo|relativo]], estão forçados, daí, a tirar consequências agnosticistas. c) Na [[lexico:a:atualidade|atualidade]], o agnosticismo se reveste de um [[lexico:a:aspecto|aspecto]] parcial, principalmente em [[lexico:r:relacao|relação]] com o [[lexico:p:problema|problema]] do irracional (Vide: irracional). «Parcial», enquanto ele atribui à razão um [[lexico:c:campo|campo]] limitado e congênere. d) Em [[lexico:b:bergson|Bergson]], encontramos um agnosticismo moderado: «Há, na matéria, algo mais, não, porém, algo diferente do que é atualmente [[lexico:d:dado|dado]] (à consciência). Sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], a [[lexico:p:percepcao|percepção]] não alcança totalmente a matéria, posto que consiste, em tanto que [[lexico:c:consciente|consciente]], na [[lexico:s:separacao|separação]] ou no [[lexico:d:discernimento|discernimento]] do que, nesta matéria, interessa às nossas necessidades. Porém, entre essa percepção da matéria e a própria matéria, não há mais que uma [[lexico:d:diferenca|diferença]] de [[lexico:g:grau|grau]] e não de natureza, estando a percepção pura para com a matéria na relação de parte para o todo. e) Emil [[lexico:l:lask|Lask]], pelo contrário, acentua a heterogeneidade entre a realidade e a razão. Segundo ele, a [[lexico:l:logica|lógica]] é aplicável a toda realidade, mas sem compreendê-la propriamente. Alcançar algo, por [[lexico:m:meio|meio]] de uma [[lexico:f:forma|forma]] categórica, não significa necessariamente [[lexico:c:compreender|compreender]]. Ser afetado por uma [[lexico:c:categoria|categoria]] não quer dizer ser racionalizado, tornado transparente. O conteúdo colocado em uma forma categórica permanece absolutamente indecomponível (unzerlegbar), irredutível à forma, neste [[lexico:s:sentido|sentido]], irracional. Sem vacilação, portanto, deve-se proclamar o [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:i:ilimitado|ilimitado]] da verdade (die Schrankenlosigkeit der Wahrheit) quer dizer, a [[lexico:a:aptidao|aptidão]] da forma lógica para [[lexico:e:envolver|envolver]] todo conteúdo sem qualquer [[lexico:e:excecao|exceção]]. (Contra Kant, segundo o qual o campo de aplicações das formas categóricas está limitado à [[lexico:e:esfera|esfera]] do que nos é dado pela [[lexico:i:intuicao-sensivel|intuição sensível]]). Ao que corresponde, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, à completa impotência da forma lógica para reduzir a si mesma o irracional, que nela está envolto. f) Especial [[lexico:a:atencao|atenção]] dedicou Nikolai [[lexico:h:hartmann|Hartmann]] a estes problemas, e chegou a distinguir [[lexico:q:quatro|Quatro]] diferentes graus de irracionalidade, e, portanto, de agnoscibilidade do ser. Como muitos admitem que, onde o pensamento [[lexico:d:discursivo|discursivo]] falha, pelo menos a [[lexico:i:intuicao|intuição]] podia ser aplicada com êxito, N. Hartmann afirma a existência de uma [[lexico:r:regiao|região]] de realidade, que é simplesmente inacessível também à intuição. g) Na [[lexico:t:teologia|teologia]]: agnosticismo designa toda doutrina que nega a possibilidade de obter conhecimento a [[lexico:r:respeito|respeito]] de Deus, quer da sua existência, quer da própria essência divina. São muitas as formas das teorias, no decurso da história, que contestaram a gnoseibilidade de Deus pela [[lexico:l:luz-natural|luz natural]] da razão humana, ou até por uma [[lexico:r:revelacao|revelação]]. Uma versão recente de agnosticismo teológico é a de A. Ritschl, que se baseia, em parte, na [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]] de Kant, e, também, na de Lotze, sustentando aue o homem conhece somente o [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]]. Como Deus não é um phaenomenon, o homem, por conseguinte, não pode conhecê-lo. A Teologia, portanto, não trata de [[lexico:c:causa|causa]] efficiens, mas da «causa finalis», quer dizer, ela considera a Deus não como um ser, mas como um «[[lexico:i:ideal|ideal]] atraente», o que impressionando o homem subjetivamente, por seu valor, leva-o a adorá-lo.