===== AFETIVIDADE ===== a) [[lexico:c:carater|Caráter]] dos fenômenos afetivos. b) [[lexico:f:funcao|Função]] do psiquismo que. para [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], é considerada como a [[lexico:c:consciencia|consciência]] que se ajunta ao [[lexico:a:ato|ato]] [[lexico:p:psiquico|psíquico]]. Para os evolucionistas, fisiologistas em [[lexico:g:geral|geral]], etc. ([[lexico:s:spencer|Spencer]], [[lexico:m:mill|Mill]], [[lexico:d:darwin|Darwin]]. etc.) é um [[lexico:s:sinal|sinal]], um [[lexico:e:estado|Estado]] de consciência utilitária. Revela-se a [[lexico:a:atividade|atividade]] contrariada ou [[lexico:n:nao|não]]. As teorias fisiologistas incluem-na na [[lexico:s:sensibilidade|sensibilidade]] como um [[lexico:e:epifenomeno|epifenômeno]] desta. [[lexico:c:critica|Crítica]] — Nosso psiquismo, com suas raízes na sensibilidade, funciona, polarizando-se na intelectualidade e na afetividade. Geralmente a afetividade e a sensibilidade são confundidas. Na sensibilidade, há a topicidade do que é [[lexico:o:objetivo|objetivo]] em face do cognoscente. Há uma [[lexico:d:dor|dor]] aqui, ali. Mas, assim como a [[lexico:i:intuicao-intelectual|intuição intelectual]] serve de ponte de ligação entre a sensibilidade e a intelectualidade, os estados de agradabilidade e de desagradabilidade são afetivos. O [[lexico:p:prazer|prazer]] e o desprazer, quando [[lexico:t:topicos|tópicos]], são da sensibilidade. Mas quando perdem a topicidade, para se darem difusos pelo [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:h:humano|humano]], tornam-se afetivos, e são raízes da afetividade no seu aprofundar na sensibilidade, que é o arcabouço comum da [[lexico:v:vida|vida]] [[lexico:n:noetica|noética]]. A afetividade acompanha a [[lexico:p:presenca|presença]] do conflito entre os antagonismos interiores, em [[lexico:t:todo|todo]] ato do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Não há um [[lexico:i:instante|instante]] desse conflito, que se dê, tanto no ato intelectual, intuitivo ou operatório, como no ato puramente [[lexico:s:sensivel|sensível]], sem que a afetividade esteja presente, muito embora sua [[lexico:i:intensidade|intensidade]] seja tão pequena que não a atualize a nossa consciência. Mas, note-se, essa consciência, quando se dá, é apenas a de um estado. A afetividade em si mesma transcende o conflito. Este apenas a revela. No conflito, um dos termos do antagonismo é atualizado, enquanto o [[lexico:o:outro|outro]] é virtualizado, [[lexico:c:como-se|como se]] dá no conhecimento [[lexico:r:racional|racional]], em que o [[lexico:e:esquema|esquema]], pela [[lexico:a:assimilacao|assimilação]], é atualizado, enquanto o [[lexico:o:objeto|objeto]] é virtualizado. A afetividade, não compreendida assim, levou às teorias já conhecidas, que a reduzem à epifenomenalidade, atribuindo-a ao [[lexico:c:corpo|corpo]], à [[lexico:m:materia|matéria]], como nas concepções mecânicas da vida, ou à [[lexico:a:alma|alma]], ou à matéria organizada, como nas concepções teleológicas da vida, [[lexico:v:vitalismo|vitalismo]], etc. [[lexico:j:janet|Janet]], com grande [[lexico:i:intuicao|intuição]], via na afetividade a [[lexico:e:expressao|expressão]] do que se passa na alma favorecida ou obstaculizada em suas aspirações ou o [[lexico:r:reflexo|reflexo]] do que se passa nas vísceras. Mas sempre apenas uma [[lexico:i:imagem|imagem]]:. . . Mas Janet acaba, afinal, por cair na mesma [[lexico:e:explicacao|explicação]] singela, quando vê no [[lexico:s:sentimento|sentimento]] apenas uma modificação do conjunto da [[lexico:c:conduta|conduta]]. Desta [[lexico:f:forma|forma]], acaba por negar-lhe uma [[lexico:n:natureza|natureza]] própria, transformando-a apenas numa «modificação: da vida psicológica. A numenalidade da afetividade é negada, e por todos reduzida, afinal, à mera epifenomenalidade, desvalorizada a um papel meramente [[lexico:p:passivo|passivo]] (má [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] do [[lexico:t:termo|termo]] [[lexico:p:pathos|pathos]], que encontramos na [[lexico:f:formacao|formação]] dos esquemas ocidentais, de atividade e passividade). Podemos distinguir duas concepções sobre a afetividade: a afetividade considerada como uma recompensa boa ou má (Aristóteles, etc), e a que a considera como sinal, como um estado de consciência utilitária (Spencer, Mill, Darwin e os evolucionistas, fisiologistas em geral, etc). Para distinguir a [[lexico:d:dor-fisica|dor física]], [[lexico:t:topica|tópica]], da dor [[lexico:m:moral|moral]] atópica (afetiva), genuinamente páthica, tais psicólogos, na [[lexico:a:ausencia|ausência]] de órgãos receptores, não revelados pela [[lexico:f:fisiologia|fisiologia]], usam este [[lexico:p:processo|processo]] [[lexico:e:explicativo|explicativo]]: toda dor, que é tópica, que é mais ou menos difusa, vaga, torna-se aproximada à dor moral, como o prazer tópico ao prazer moral ([[lexico:a:afetivo|afetivo]]), também o agradável ou o desagradável. Mas, na afetividade, não encontramos essa [[lexico:e:equivalencia|equivalência]]. Entre uma dor de dente e uma mágoa moral, que [[lexico:s:semelhanca|semelhança]] há? Todas as teorias conhecidas, que pretendem [[lexico:e:explicar|explicar]] a afetividade e a sensibilidade, sempre incluída nesta última, tendem a considerar que é o conflito que as condiciona. A [[lexico:c:contrariedade|contrariedade]] [[lexico:d:dinamica|dinâmica]] do [[lexico:e:existir|existir]] seria suficiente para explicá-lo e, neste caso, a sensibilidade (incluindo a afetividade) seria apenas um epifenômeno do mesmo existir, salvo para as concepções espiritualistas, em certo [[lexico:s:sentido|sentido]], que oferecem outra explicação, mas, pelo [[lexico:m:modo|modo]] como procedem, não satisfazem plenamente. Todas essas teorias apenas nos indicam quando aparece e quando desaparece o [[lexico:f:fato|fato]] sensível-pático, que não é objetivo nem [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]], que não apresenta as características da exclusão ou do [[lexico:d:dualismo|dualismo]] antagonista, que se observa no ato de captação do conhecido pelo cognoscente. Essas teorias apenas nos descrevem o [[lexico:s:sistema|sistema]] e as funções, onde, o sensível-pático se dá, considerando-o mero [[lexico:a:acidente|acidente]]. Se é [[lexico:n:necessario|necessário]] o conflito para que captemos o sensível-páthico, como poderíamos conhecê-lo em sua numenalidade ? Se a presença do sensível, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], não se manifesta senão nesse antagonismo, que implica a atualização de um dos termos e a virtualização do outro, se o sensível se acusa sob a forma de dor ou desaparece sob a forma de prazer, não teria ele uma [[lexico:r:realidade|realidade]] [[lexico:m:modal|modal]], transitória, epifenomenal, fundada nesse [[lexico:p:proprio|próprio]] antagonismo ? Um estado sensitivo-afetivo é irredutível a qualquer outra [[lexico:c:coisa|coisa]]. A numenalidade, que é negada pelos psicólogos, e a sua natureza passam a ser temas de estudos. Um estado afetivo não apresenta as características de [[lexico:o:objetividade|objetividade]] da [[lexico:p:percepcao|percepção]] de uma árvore, de um ser do [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:e:exterior|exterior]]. Há paisagens tristes, mas [[lexico:o:o-que-e|o que é]] triste da paisagem não está no seu [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:r:representativo|representativo]] e objetivo. A afetividade não é captada na coisa, mas em nós. Sua [[lexico:f:fonte|fonte]] está em nós, Mas essa [[lexico:a:alegria|alegria]] ou essa [[lexico:t:tristeza|tristeza]] não trazem, simultaneamente, a marca do [[lexico:s:sujeito|sujeito]] e a marca do objeto ? Não é algo que captamos em e de que somos? Quando dizemos [[lexico:t:ter|ter]] uma dor na perna, quanto há de profundidade nessa expressão popular. É o nosso corpo que sofre; sofremos em nós. Podemos localizá-la, podemos citar o [[lexico:p:ponto|ponto]] onde ela dói; porém dói em nós, e onde aquele ponto indica. Se no meramente sensível já podemos [[lexico:v:ver|ver]] assim, quanto mais o poderíamos no afetivo. E quando essa dor desaparece, surge-nos a euforia de uma satisfação, a satisfação de uma ausência, um estado de agradabilidade, mais afetivo que sensível, um contentamento conosco mesmos. E captamos uma ausência? Não captamos a ausência, o que captamos é o que sentimos, positividade indubitável. Todos os estados afetivos afirmam positividades, que podem ser favoráveis ou desfavoráveis, opostas aos nossos interesses. A dor é positiva, como o é o prazer. O desaparecimento da dor afirma a positividade do alívio e da agradabilidade. A afetividade é extra-objetiva e extra-subjetiva. Os estados sensíveis a revelam. Ela surge em nós; ela vem do [[lexico:s:subconsciente|subconsciente]], positiva sempre. Ela não é uma [[lexico:p:potencia|potência]] que se atualiza. Ela está em ato sempre. **AFETIVIDADE ([[lexico:c:caracteristica|característica]] da)** — Na afetividade, também há conhecimento. Mas, aqui, a [[lexico:s:separacao|separação]] entre [[lexico:s:sujeito-e-objeto|sujeito e objeto]] não é tão marcante como na intelectualidade, pois o sujeito e objeto, no que se chama estado afetivo, se fundem. Não estamos em face de um conhecimento (de cognoscere), mas de um fundir-se; pois sujeito e objeto são o mesmo.