===== A-LETHEIA ===== VIDE [[lexico:a:aletheia:start|aletheia]] O [[lexico:e:erro:start|erro]] de [[lexico:p:platao:start|Platão]] foi fatal. Ele — [[lexico:n:nao:start|não]] [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], que tentou ao máximo reparar o dano (N2, 228/N4, 171) — iniciou o declínio da a-letheia para a "correção" e para a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] como [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] (GA34, 21ss; p, 201ss/215ss). Aletheia era originalmente o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] básico da [[lexico:p:physis:start|physis]] (aproximadamente, " [[lexico:n:natureza:start|natureza]]"), e assim " rejeita essencialmente qualquer [[lexico:q:questao:start|questão]] acerca de sua [[lexico:r:relacao:start|relação]] com qualquer outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]], tal como o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]" (GA65, 329). Em Platão, ela "aparece sob o jugo da [[lexico:i:idea:start|idea]]" (P, 228). Idea, do [[lexico:g:grego:start|grego]] idein, "[[lexico:v:ver:start|ver]]", refere-se, na [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] de [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]], ao "aspecto " visual dos entes. A ascensão dos prisioneiros para fora da caverna é uma "correção" progressiva da sua [[lexico:v:visao:start|visão]] desta idea e do [[lexico:e:ente:start|ente]] cuja idea ele é. Por conseguinte, aletheia já não é primordialmente uma [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] de entes: ela trabalha junto com a [[lexico:a:alma:start|alma]] e consiste numa [[lexico:h:homoiosis:start|homoiosis]], uma "[[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]]", entre elas. Homoiosis tornou-se desde então adaequatio e depois "concordância", e desde [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] a relação entre alma e entes tornou-se a relação [[lexico:s:sujeito-objeto:start|sujeito-objeto]], mediada pela "[[lexico:r:representacao:start|representação]]", o declínio degenerado da idea de Platão. Verdade torna-se correção, e seu "[[lexico:e:espaco:start|espaço]] de [[lexico:j:jogo:start|jogo]] ", o [[lexico:a:aberto:start|aberto]], é negligenciado (GA65, 198, 329ss). A explicação de Heidegger foi atacada por Friedländer, 221-229: 1. Não é certo que [[lexico:a:alethes:start|alethes]] venha de a- e lanthanein. 2. Mesmo se vier, raramente significa "desencoberto" em Homero, [[lexico:h:hesiodo:start|Hesíodo]] e autores posteriores, mas possui três sentidos principais: a correção do [[lexico:d:discurso:start|discurso]] e da [[lexico:c:crenca:start|crença]] (epistemológico); a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] do [[lexico:s:ser:start|ser]] ([[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]); a [[lexico:v:veracidade:start|veracidade]], honestidade e [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] de um [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] ou [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]] ("[[lexico:e:existencial:start|existencial]]"). 3. Estes três aspectos de aletheia estão unidos em Platão. A ascensão da caverna é uma ascensão do ser, do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] e da [[lexico:e:existencia:start|existência]]. Heidegger compreende [[lexico:m:mal:start|mal]] isto. Ele presume que, se Platão enxerga a verdade como correção da [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]], então ele omite seus outros sentidos, ao passo que, se [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:s:sentido:start|sentido]] reaparece, é porque Platão é indeciso e "ambíguo". Os três sentidos se fundem em Platão. 4. Interpretar a verdade como desencobrimento não o salvaria da [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]]: o desencobrimento deve ser desencobrimento para alguém. Em 2 e 3 Friedländer está certo. Heidegger aceita o 2, e implicitamente o 3, em EPAD (77s/447). Suas tentativas de encontrar aletheia como "desencobrimento" em Platão invariavelmente falham. Quando Platão diz que as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] que "fazemos" quando seguramos um espelho não são entes tei aletheiai, e que as coisas que os pintores fazem não são alethe ([[lexico:r:republica:start|República]], 596d,e), Heidegger acredita que ele queira dizer que coisas em espelhos e em pinturas não estão "desencobertas". (Ele também diz que para compreendermos como é [[lexico:p:possivel:start|possível]] dizer que fazemos coisas ao segurar um espelho, devemos [[lexico:c:compreender:start|compreender]] "fazer" num "sentido grego" especial.) (GA6, 206ss/N1, 177ss) Mas as coisas não estão mais encobertas em um espelho do que na [[lexico:c:carne:start|carne]]. A questão de Platão é que coisas em um espelho não são reais, não alethe no sentido ontológico. Também não é verdade que idea — e seu quase-sinônimo [[lexico:e:eidos:start|eidos]], " [[lexico:f:forma:start|forma]]" — signifique "aspecto, [[lexico:a:aparencia:start|aparência]]"; a [[lexico:a:assuncao:start|assunção]] de que os gregos, ou alguém mais, usavam as [[lexico:p:palavras:start|palavras]] invariavelmente de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com suas raízes etimológicas não tem [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] (cf. NI, 200/N1, 172). As interpretações de Heidegger de aletheia e de Platão são indefensáveis. O que não significa que Friedländer esteja certo em 4. Este despreza a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] de Heidegger entre o aberto e o desvelamento de entes particulares, e também sua crença de que somos feitos, e revelados como, o que somos pela abertura do aberto, não já prontos esperando que as coisas sejam desencobertas para nós. No vocabulário kantiano rejeitado por Heidegger, Friedländer pensa em termos "empíricos" muito mais do que "[[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]]". Heidegger está muito mais perto de Platão, propriamente interpretado, do que ele admite. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}